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“Namorar é não saber onde começa você e termina o outro. Em qual parte daquele aconchego se perdeu a angústia que dilacerava a sua solidão. É quando a gente finalmente entende os motivos de tudo ter dado tão errado no dia de ontem e de todas as dores que nos prepararam para achegada do amor. Namorar é um estado de permanência. A gente casa, faz bodas, envelhece ao lado, mas não pode perder o namoro. O olhar apaixonado, o sorriso bobo, a necessidade de ir junto à vontade de ficar. Aquela cosquinha que te diz que vale a pena, que compensa deixar a ira de lado, que fazer as pazes sempre cai bem.

Namorar é aprender a ceder. A esquecer que existe ego, orgulho, superioridade e que nos transforma em seres humanos mais humildes. Capazes de aceitar e reconhecer falhas, de compreender os momentos do outro, de entender que, de fato, não somos obrigados a nada, mas que vez em quando é preciso renunciar.

Estar ao lado de alguém é um infinito de desapegos. De certezas, vontades, expectativas, de sonhos. A gente abandona velhos desejos para construir novos ainda mais mirabolantes. Adiciona-se um prato na mesa de jantar, um travesseiro na cama e uma interrogação no futuro.

Namorar é se perder.

Na saudade, na ansiedade, na demora das horas e no tempo. Abandonamos o juízo, o bom senso e o discernimento em prol daquele calorzinho que esquenta o peito quando fechamos os olhos para sonhar. Desistimos e nos rendemos no breve espaço do mesmo segundo. Eis o maior descompasso da vida: se relacionar. Justamente porque para nos orientarmos na nossa própria travessia precisamos viver o caos de uma vida a dois.

O relógio precisa caminhar no ritmo de duas pessoas para que um único sentimento possa fazer sentido. E cedo ou tarde faz. Quando o turbilhão de sentimentos dentro da gente entra em harmonia, enfim o carrossel da vida em conjunto equilibra seu passeio. Amamos. Conhecemos o amor.

Namorar é um aprendizado diário. Sobre nós, sobre o mundo, sobre alguém. Vai muito além do beijo na boca, do abraço apertado e da gargalhada no rosto. Envolve um encontro de almas que precisam evoluir. Transcender aquilo que entendem como verdade absoluta para conhecerem a realidade do que significa parceria.

É dar as mãos, os pés, o corpo inteiro e ainda assim querer se doar mais. Uma entrega que não tem início, fim ou meio termo, ela simplesmente é. Dia após dia, segundo após segundo.

Amar é viver o outro em sua imensidão e só então compreender um pouco sobre si. Encontrar-se em olhares alheios. Descabelada, desnuda, descalça. Humana.”

Texto por: Danielle Daian.

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